CartazNos últimos dias de 1999, após alguns tiros terem sido disparados em um supermercado francês, Dramane (Abderrahmane Sissako) escreve uma carta para seu pai, que mora em Mali, sua terra natal. Quando viaja de volta para casa ele conhece uma bela jovem, que o faz considerar outros caminhos a seguir. Mas após a passagem de ano nada parece ter mudado na vila, contrastando as dificuldades do local com a modernidade européia.

A vida sobre a terra (La vie sur terre) é um drama dirigido por Abderrahmane Sissako  com 61 minutos de duração. Sissako  é um diretor de cinema, escritor e produtor mauritano, sendo considerado o cineasta mais ativo da África. Nascido em 1961 em Kiffa, emigrou com a família para o Mali, país de seu pai. Estudou cinema em Moscou nos anos 1980. ganhador de diversos prêmios, como Un certain Regard no Festival de Cannes em 1993. Dirigiu também os curtas-metragem Le Chameau et les bâtons flottants (1995) Sabriya (1996). “En attendant le bonheur” e Un Certain Regard e  Bamako foram apresentados no Festival de Cannes no ano 2000 e em 2006, respectivamente.

Serviço:

19/setembro/2015 – 17 horas A Vida Sobre a Terra (La Vie Sur Terre). Direção: Abderrahmane Sissako – 1998, drama, 61 minutos.

Local: PUC CONSOLAÇÃO Rua Marquês de Paranaguá, 111 – sala 20. Travessa Rua da Consolação, próximo ao Mackenzie. Entre metrô República e Paulista.

Entrada franca.

Pede-se a colaboração voluntária de 1 quilo de alimento não perecível ou roupas, calçados, cadernos, livros, jornais, revistas, material de higiene e limpeza. Serão doados ao Arsenal Esperança/Missão Paz, que atende diariamente centenas de estrangeiros, inclusive africanos.

Coordenação: Saddo Ag Almoloud, Vanderli Salatiel e Oubí Inaê Kibuko.

A imprensa negra no Estado de São Paulo é representada na nova exposição da Casa de Dona Yayá, que reúne fotos, recortes, clichês e outros registros dos principais periódicos paulistas. Nesses documentos, os enfrentamentos cotidianos em defesa da cidadania negra e suas formas de resistência coletiva aparecem entrecortados pelas energias utópicas da modernidade e promessas de igualdade e justiça social.

Os jornais eram editados principalmente na capital paulista e em Campinas, onde o ativismo negro se tornou mais expressivo. A exposição integra programação do simpósio Negros nas cidades brasileiras, que inclui também o lançamento do Portal USP da Imprensa Negra Paulista. Você pode visitar a exposição de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas; domingo, das 10h às 15h na Rua Major Diogo, 353, Bela Vista, São Paulo. A entrada é franca e vai até 11 de outubro.

Foto: Cecília Bastos

Foto: Cecília Bastos

Ana Barone, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, e uma das coordenadoras do projeto, disse ao site da Casa Dona Yayá, que o público que for visitar a exposição Imprensa Negra Paulista terá uma oportunidade de conhecer mais e refletir sobre a vida de um povo que sempre procurou defender seus interesses coletivos mesmo em um período em que o Estado não garantia uma equalização de condições para esse grupo da população. Para a comunidade acadêmica, a mostra e o site do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, onde se encontra disponível a coleção da Imprensa Negra, servirão de fontes documentais e de informação sobre as relações raciais no Brasil. Saiba mais sobre o site com os jornais digitalizados aqui.

Serviço:

Exposição ‘Imprensa Negra Paulista’ 

De segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas, e domingo, das 10 às 15 horas. Entrada franca.

O Centro de Preservação Cultural – Casa de Dona Yayá fica na Rua Major Diogo, 353, Bela Vista, São Paulo.

Mais informações: (11) 3106-3562, email anabarone@gmail.com, cpcpublic@usp.br, ou no site do IEB

Por: Midiato

A pesquisadora Rosane Borges, professora da Universidade Estadual de Londrina e pesquisadora do MidiAto, condunzirá o seminário “Políticas de representação e imaginário: imagens de mulheres negras na mídia” no grupo de estudo em “Direito, Estado e racismo”,  da Faculdade de Direito do Mackenzie.

A apresentação vai analisar “os discursos, plasmados como imagem, em torno da mulher negra brasileira, veiculados em em alguns dispositivos midiáticos, tais como cinema, televisão, internet e suportes impressos”. Segundo a professora, “novos regimes de visibilidade emergem, tornando possível a projeção imagética de mulheres negras de maneira plural e não apenas vinculada a estereótipos negativos e a estigmas, como a boa tradição das corriqueiras representações visuais se encarregou de decantar. Estaríamos, portanto, assistindo a um estágio no campo das representações que gradualmente iria de uma escala negativa para uma positiva, em que homens e mulheres negros passam a ser retratados de maneira multiperspectívica”.

O seminário pretende levantar algumas discussões: até que ponto os novos signos que gravitam em torno das mulheres negras são capazes de instituir uma outra ordem de sentidos sobre elas? Em que medida tais alterações imagéticas, anunciadas, às vezes, de modo festivo, constituem, efetivamente, mudanças capazes de redesenhar o quadro imaginário de onde se pinta as representações sociais e, portanto, de onde emergem os ideais culturais?

O evento ocorre neste sábado (dia 5), a partir das 9h30, na Universidade Mackenzie, na Faculdade de Direito, em São Paulo.

O Clarim da Alvorada

Uma coleção de jornais da imprensa negra que circularam de 1915 a 1963 tem agora a versão digitalizada das cópias em microfilme disponível para consulta no Portal da Imprensa Negra Paulista da Universidade de São Paulo (confira aqui). O acervo é resultado da pesquisa realizada pela antropóloga Miriam Nicolau Ferrara para a dissertação de mestrado “A Imprensa Negra Paulista (1915-1963)” aprovada em 1981 na Faculdade Filosofia Letras e Ciências Humanas ( FFLCH) daUSP.

O projeto de disponibilização dessas coleções já tem alguns anos e contou com apoio da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial São Paulo (Cojira-SP) em sua história. A primeira publicação de materiais desse acervo ocorreu por iniciativa da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Imesp) em 1984, quando foi lançada a coletânea Imprensa Negra, com fac símiles de alguns jornais, estudo crítico de Clóvis Moura e legendas de Mirian Nicolau Ferrara.

Em 1986, a dissertação foi publicada na coleção Antropologia – FFLCH-USP, com prefácio de Clóvis Moura e Imprensa Negra foi relançada pela Imesp, em 2003, por iniciativa da Cojira-SP. Nos últimos anos, a pesquisadora e a comissão do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo buscaram apoios para viabilizar a disponibilização do material. A concretização desse objetivo, no entanto , aconteceu por conta de uma iniciativa da professora Ana Barone (FAU-USP) e das pesquisadoras Flavia Rios (Cebrap/IFSP)  e Edilza Sotero (USP) em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP).

Na apresentação da coletânea no site, Miriam conta que o seu interesse pelo assunto foi despertado em 1975, quando leu no extinto Jornal da Tarde a reportagem Os jornais dos netos de escravosFoi a partir daí que ela começou a busca pelos jornais, sem obter sucesso no início. Em 1976, a pesquisadora conseguiu o contato de Jayme de Aguiar, que havia editado O Clarim da Alvorada. “Fui procurá-lo e perguntei se poderia me ajudar. Ele me olhou firmemente, levou as mãos à cabeça e disse: ‘mas filha, eu não sabia que o que eu fiz era tão importante! Me acompanhe’. No andar superior da casa, subiu em um banquinho e de cima de um armário foi tirando pacotes com os jornais. Impossível descrever o que senti naquele momento”, relata.

Esse episódio foi o primeiro contato da antropóloga com os velhos militantes da imprensa negra paulista, que passaram a ser entrevistados para a dissertação. Entre eles, estavam José Correia Leite, Francisco Lucrécio, Raul Joviano do Amaral, Henrique Cunha, Pedro Paulo Barbosa e Ironides Rodrigues. O projeto contou também com contribuições do jornalista e escritor Oswaldo de Camargo (um dos fundadores da Cojira-SP), editor da Revista Niger, que integra o acervo, e do professor  Clovis Moura, um dos principais pesquisadores da questão racial no Brasil.

Os exemplares originais do material coletado em campo durante a pesquisa foram microfilmados e depositados no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP). Outra parte desse material foi direcionada para o Centro de Documentação e Memória (Cedem) da UNESP – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”.

O material está disponível no site: http://www.usp.br/imprensanegra/

Depois da ampla comoção gerada pelas ofensas racistas desferidas à apresentadora da TV Globo Maria Júlia Coutinho, mais um jornalista foi vítima de discriminação. Desta vez, o alvo foi o professor Juarez Tadeu de Paula Xavier, coordenador do Núcleo Negro da Universidade Estadual Paulista (Unesp) para a Pesquisa e Extensão (Nupe) e também chefe de comunicação da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp. Pichações racistas que ofendiam mulheres e estudantes negros, além de ofensas pessoais contra o professor Juarez, foram encontradas em um banheiro masculino do campus em Bauru (SP).

Por conta disso, o Sindicato  dos Jornalistas no Estado de São Paulo, por meio de sua Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira), vem a público prestar solidariedade ao jornalista Juarez Tadeu de Paula Xavier. Vale lembrar que este não é um episódio isolado. Além de Juarez e Maria Júlia, as jornalistas Cristiane Damacena e Raíssa Gomes, residentes em Brasília, a apresentadora do SBT, Joyce Ribeiro, a jornalista Juliana Albino, de Campina Grande, e o jornalista baiano Marivaldo Filho foram vítimas de recentes  manifestações racistas.

Por isso mesmo apoiamos a iniciativa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de abrir um processo para investigar o episódio e lembramos que é necessário, como há anos defendem as Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial, apostar em conteúdos de combate ao racismo nas escolas de comunicação social e lutar contra a impunidade quando o assunto diz respeito a delitos de racismo e injúria racial, inclusive nas redes sociais.