Arquivo da categoria ‘Projetos em andamento’

A imprensa negra no Estado de São Paulo é representada na nova exposição da Casa de Dona Yayá, que reúne fotos, recortes, clichês e outros registros dos principais periódicos paulistas. Nesses documentos, os enfrentamentos cotidianos em defesa da cidadania negra e suas formas de resistência coletiva aparecem entrecortados pelas energias utópicas da modernidade e promessas de igualdade e justiça social.

Os jornais eram editados principalmente na capital paulista e em Campinas, onde o ativismo negro se tornou mais expressivo. A exposição integra programação do simpósio Negros nas cidades brasileiras, que inclui também o lançamento do Portal USP da Imprensa Negra Paulista. Você pode visitar a exposição de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas; domingo, das 10h às 15h na Rua Major Diogo, 353, Bela Vista, São Paulo. A entrada é franca e vai até 11 de outubro.

Foto: Cecília Bastos

Foto: Cecília Bastos

Ana Barone, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, e uma das coordenadoras do projeto, disse ao site da Casa Dona Yayá, que o público que for visitar a exposição Imprensa Negra Paulista terá uma oportunidade de conhecer mais e refletir sobre a vida de um povo que sempre procurou defender seus interesses coletivos mesmo em um período em que o Estado não garantia uma equalização de condições para esse grupo da população. Para a comunidade acadêmica, a mostra e o site do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, onde se encontra disponível a coleção da Imprensa Negra, servirão de fontes documentais e de informação sobre as relações raciais no Brasil. Saiba mais sobre o site com os jornais digitalizados aqui.

Serviço:

Exposição ‘Imprensa Negra Paulista’ 

De segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas, e domingo, das 10 às 15 horas. Entrada franca.

O Centro de Preservação Cultural – Casa de Dona Yayá fica na Rua Major Diogo, 353, Bela Vista, São Paulo.

Mais informações: (11) 3106-3562, email anabarone@gmail.com, cpcpublic@usp.br, ou no site do IEB

O coquetel de abertura da Exposição de Jornais da Imprensa Negra Paulista do século XX será realizado nessa segunda-feira – 21/11 – às 19 horas no Hall Monumental da Assembléia Legislativa de São Paulo – Avenida Pedro Álvares Cabral, 201 – Ibirapuera – São Paulo / SP . A exposição é aberta ao público em geral do dia 21 à 25 de novembro. A realização da mostra conta com o apoio do mandato do deputado estadual José Cândido (PT/SP).

A Exposição de Jornais da Imprensa Negra Paulista do século XX resgata o registro da vida social, da história de luta, sonhos e planos para a conquista do respeito e igualdade de toda a sociedade brasileira para com as comunidades negras da Capital Paulista e do interior do estado.

O jornalista José Correia Leite (1900 – 1989), criador os jornais O Clarim, Alvorada, Clarim d’Alvorada e Chibata e colaborador dos jornais A Raça e O Mutirão. Militante negro, Correia Leite foi um dos fundadores, em 1931, da Frente Negra Brasileira, mas se afastou por divergências ideológicas e, juntamente com José de Assis Barbosa, criou em 1932 o Clube Negro de Cultura Social. Em 1945, participou da criação da Associação dos Negros Brasileiros e do jornal Alvorada e em 1956, na Associação Cultural do Negro, fundou a revista Niger.

Com suas páginas amareladas, impressão ligeiramente desbotada, desgastados pelo tempo, mas ainda altivos, como seus fundadores e leitores, que faziam questão de demonstrar o orgulho por sua origem africana os jornais: Menelick,1915; A Rua,1916; O Xauter, 1916; O Alfinete, 1918; O Bandeirante, 1919; A Liberdade, 1919; A Sentinela, 1920; Kosmos, 1922; O Getulino, 1923; O Clarim, rebatizado de O Clarim d’Alvorada,1924; Elite, 1924; Auriverde, 1928; O Patrocínio, 1928; O Progresso, 1928; A Chibata, 1932 e A Voz da Raça, 1933, entre outros, fazem parte dessa história.
Os exemplares dessa exposição fazem parte do acervo de Estevão Maya Maya, militante, cantor erudito e musicólogo, preservando parte das origens da Imprensa Negra Paulista.

O projeto Vozes pela Igualdade neste mês da Consciência Negra, no Ano Internacional dos e das Afrodescendentes, estabelecido pelas Nações Unidas, tem o objetivo de contribuir para o fim da violência de gênero e raça e para a construção da igualdade e do fim da discriminação, por meio do estímulo à observação, à pesquisa e à reflexão sobre a cobertura jornalística dessa temática.

Realização:
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
COJIRA – Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial
Coletivo da Mulher Jornalista
Organização
CELACC – Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação