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O Clarim da Alvorada

Uma coleção de jornais da imprensa negra que circularam de 1915 a 1963 tem agora a versão digitalizada das cópias em microfilme disponível para consulta no Portal da Imprensa Negra Paulista da Universidade de São Paulo (confira aqui). O acervo é resultado da pesquisa realizada pela antropóloga Miriam Nicolau Ferrara para a dissertação de mestrado “A Imprensa Negra Paulista (1915-1963)” aprovada em 1981 na Faculdade Filosofia Letras e Ciências Humanas ( FFLCH) daUSP.

O projeto de disponibilização dessas coleções já tem alguns anos e contou com apoio da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial São Paulo (Cojira-SP) em sua história. A primeira publicação de materiais desse acervo ocorreu por iniciativa da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Imesp) em 1984, quando foi lançada a coletânea Imprensa Negra, com fac símiles de alguns jornais, estudo crítico de Clóvis Moura e legendas de Mirian Nicolau Ferrara.

Em 1986, a dissertação foi publicada na coleção Antropologia – FFLCH-USP, com prefácio de Clóvis Moura e Imprensa Negra foi relançada pela Imesp, em 2003, por iniciativa da Cojira-SP. Nos últimos anos, a pesquisadora e a comissão do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo buscaram apoios para viabilizar a disponibilização do material. A concretização desse objetivo, no entanto , aconteceu por conta de uma iniciativa da professora Ana Barone (FAU-USP) e das pesquisadoras Flavia Rios (Cebrap/IFSP)  e Edilza Sotero (USP) em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP).

Na apresentação da coletânea no site, Miriam conta que o seu interesse pelo assunto foi despertado em 1975, quando leu no extinto Jornal da Tarde a reportagem Os jornais dos netos de escravosFoi a partir daí que ela começou a busca pelos jornais, sem obter sucesso no início. Em 1976, a pesquisadora conseguiu o contato de Jayme de Aguiar, que havia editado O Clarim da Alvorada. “Fui procurá-lo e perguntei se poderia me ajudar. Ele me olhou firmemente, levou as mãos à cabeça e disse: ‘mas filha, eu não sabia que o que eu fiz era tão importante! Me acompanhe’. No andar superior da casa, subiu em um banquinho e de cima de um armário foi tirando pacotes com os jornais. Impossível descrever o que senti naquele momento”, relata.

Esse episódio foi o primeiro contato da antropóloga com os velhos militantes da imprensa negra paulista, que passaram a ser entrevistados para a dissertação. Entre eles, estavam José Correia Leite, Francisco Lucrécio, Raul Joviano do Amaral, Henrique Cunha, Pedro Paulo Barbosa e Ironides Rodrigues. O projeto contou também com contribuições do jornalista e escritor Oswaldo de Camargo (um dos fundadores da Cojira-SP), editor da Revista Niger, que integra o acervo, e do professor  Clovis Moura, um dos principais pesquisadores da questão racial no Brasil.

Os exemplares originais do material coletado em campo durante a pesquisa foram microfilmados e depositados no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP). Outra parte desse material foi direcionada para o Centro de Documentação e Memória (Cedem) da UNESP – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”.

O material está disponível no site: http://www.usp.br/imprensanegra/