A  Caminhada Luiz Gama será realizada no dia  24 de agosto em São Paulo e assinala a passagem do 138º aniversário da morte do “maior abolicionista do Brasil” e “patrono da abolição da escravidão do Brasil”. , ano em que foi  colocado um busto do herói em frente à Academia Paulista de Letras, no Largo do Arouche.  Desde aquela época, é regularmente realizada, no dia 21 de junho (data do nascimento, em 1830), ou em 24 de agosto (morte,1882), uma caminhada desde o busto até o túmulo de Luiz Gama no cemitério da Consolação.

Na versão deste ano, serão apresentados três atos online transmitidos pelo Facebook e pelos canais do Jornal Empoderado e Jornalistas Livres a partir de quinta-feira (20/08) até a próxima segunda-feira (24/08), quando ocorrerá uma “caminhada virtual”. Em vídeo produzido pelo ator, escritor e produtor cultural Max Mu e sua companheira, a gestora de projetos e produtora cultural Marília Santos, serão exibidos pontos históricos da cidades  relacionados com a vida e a memória de Luiz Gama. Além disso, personalidades como João Acaiabe, Oswaldo Faustino, Naruna Costa, Max Mu, Ailton Graça, Eduardo Silva, Dinho Nascimento e Cyda Baú, entre outros, gravaram em vídeos trechos de um texto escrito por Raul Pompeia por ocasião da morte de Gama, que serão intercalados à exibição do percurso.

Também faz parte da programação do evento um ciclo de atividades virtuais que vão contemplar os diversos campos de atuação do abolicionista, todas previstas para as 19h: no dia 20/08 (5ª feira) irá ao ar o debate Luiz Gama para Advogados; na sexta, dia 21, Luiz Gama para Escritores; e no sábado, dia 22, Luiz Gama para Jornalistas.

No domingo (23/08), será exibido o vídeo Ação Catadoras “190 anos de Luiz Gama e a Liberdade de ser o que se é”, com exibição prevista para 11h30 e 19h.  Na segunda (24), após a Caminhada, serão exibidos os vídeos Luiz Gama: Defensor dos Escravos, do Direito e das Liberdades  Democráticas (18h) e uma retrospectiva e conversa sobre a peça Luiz Gama, Uma voz  pela Liberdade, às 21h.

Ao lado de Max Mu, participam da  coordenação do evento  Caminhada Luiz Gama os jornalistas Abílio Ferreira, Flavio Carrança e Oswaldo Faustino e a produtora cultural Cristina Adelina.

Luiz Gama foi um dos primeiros homens negros a ocupar os jornais brasileiros no século 19 como autor de textos em vez de mercadoria. O jornalista que foi também advogado, fundador do Partido Republicano Paulista e o principal líder abolicionista negro ganha em 2020 uma série de quatro lives para comemorar seus 190 anos de nascimento.

Os eventos são organizados pela Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de São Paulo (Cojira-SP), que é vinculada ao Sindicato dos Jornalistas e pretende abordar os trabalhos de Gama na imprensa. “Esse evento é uma reparação histórica contra o racismo epistemológico que apagou a figura de Luiz Gama da história da comunicação e do jornalismo”, ressalta Cinthia Gomes, mestranda da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), que integra a comissão e pesquisa sobre o abolicionista.

Cinthia lembra que mesmo quem se forma em Jornalismo não conhece a história de Gama na faculdade. “Além de ter sido proprietário de dois jornais, ele foi articulista e escreveu nos jornais mais importantes da época em São Paulo e no Rio de Janeiro. Nesses artigos, ele exercia diversas funções, como a de ombudsman em que monitorava o noticiário e criticava a atividade da imprensa. Ele ajuda a demarcar o início da atividade jornalística”, ressalta a pesquisadora.

Em seus artigos, Gama defendia princípios como a liberdade de imprensa, deu publicidade a casos de atos ilícitos cometidos por juízes que causavam obstáculo para as causas de liberdade. “Foi pioneiro em promover uma representação positiva e subversiva do sujeito negro na imprensa, que não era considerado um ser humano. Para além de conseguir status legal de liberdade das pessoas como advogado, Gama usava a imprensa para promover a mudança do imaginário popular para re-humanizar as pessoas negras”, destaca Cinthia.

História

Luiz Gonzaga Pinto da Gama nasceu em Salvador em 21 de junho de 1830 e morreu em São Paulo em 24 de agosto de 1882. Ele inscreveu seu nome da história da comunicação ao fundar o primeiro jornal ilustrado de São Paulo, o Diabo Coxo, em 1864, ao lado do caricaturista italiano Ângelo Agostini, e teve uma longa trajetória em outros veículos da época.

Como articulista, Gama contribuiu em questões fundamentais, como a representação da população negra na mídia e a defesa de princípios como a liberdade de imprensa. Com seu trabalho conseguiu libertar mais de 500 pessoas escravizadas.

As lives serão às quintas, às 18h, e com exceção de uma, que será no dia 21 de junho, domingo, data do nascimento de Luiz Gama, às 16h. As transmissões ao vivo serão feitas pelo Facebook, nas páginas da Cojira-SP,  Alma Preta e Jornalistas Livres.

Veja a programação:

Live 1: Luiz Gama, filho de Luiza Mahín
Data: 11/06, 18h
Apresentação: Juliana Gonçalves (jornalista, mestranda em Estudos Culturais na USP, integrante da Cojira-SP e da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo)
Convidada: Dulci Lima (doutoranda em Ciências Humanas e Sociais na UFABC, mestra em Educação, Arte e História da Cultura pelo Mackenzie. Bacharel em História pela USP. Pesquisadora do Centro de Pesquisa e Formação do SESC SP).

Live 2 – Luiz Gama: uma luz sobre o blecaute histórico
Data 18/06, 18h
Apresentação: Beatriz Sanz (jornalista, bolsista na fundação Cosecha Roja (Argentina), co-criadora do Banco de Talentos Negros e integrante da Cojira-SP)
Convidado: Oswaldo Faustino (jornalista, escritor, ator e co-fundador da Cojira-SP. Autor dos livros “A Legião Negra” e “ A luz de Luiz”, entre outros)

Live 3: As lições de resistência do jornalista Luiz Gama
Data: 21/06, 16h
Apresentação: Cláudia Alexandre (jornalista, doutoranda em Ciência da Religião na PUC-SP, apresentadora do Programa Papo de Bamba e integrante da Cojira-SP)
Convidada: Ligia Ferreira (Profa. Dra. do Departamento de Letras na UNIFESP. Autora e organizadora dos livros “Primeiras Trovas Burlescas e outros poemas”, “Com a Palavra, Luiz Gama” e “Lições de Resistência: artigos de Luiz Gama na imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro”)

Live 4 – Luiz Gama: a voz negra na imprensa
Data: 25/06, 18h
Apresentação: Guilherme Soares Dias (jornalista, empreendedor, apresentador do Guia Negro Entrevista e integrante da Cojira-SP)
Convidada: Cinthia Gomes (jornalista, mestranda em Ciências da Comunicação na USP, integrante da Cojira-SP e da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo).

Por Claudia Alexandre

No dia 30 de maio, em uma Roda de Conversa, promovida pela Cojira-SP – Comissão dos Jornalistas pela Igualdade Racial do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, o advogado Hédio Silva Júnior, coordenador geral do Idafro (Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-brasileiras) confirmou que os programas que irão ao ar como Direito de Resposta no processo movido contra o Grupo Record TV já estão prontos para serem exibidos.

O programa “Voz das Religiões Afro”, que será apresentado pela jornalista Claudia Alexandre terá quatro edições de conteúdos distintos, “para reestabelecer a verdade e rebater as ofensas e injúrias veiculadas pela emissora”, confirmou ele. O evento intitulado “Direito de Resposta e Racismo Religioso em Pauta” contou com a parceria com o Nera – Núcleo de Estudos Étnico-Raciais das faculdades FMU-FIAM-FAAM.

Hédio falou para um público composto por jornalistas, estudantes de jornalismo e convidados sobre o longo processo de ganho contra o Grupo Record TV, que durou 16 anos para ter a sentença cumprida, o que segundo ele, acumulou prejuízos aos seguidores de Umbanda e Candomblé, demonstrando práticas de racismo religioso e intolerância religiosa, que extrapolaram a tela da TV.

Participaram da mesa os jornalistas Flavio Carrança, Guilherme Soares e Claudia Alexandre (Cojira) e a professora e cientista social, Rute Reis (Nera). Foram debatidas questões importantes, como o papel da mídia na naturalização de práticas racistas; o lugar da religião na pauta diária de veículos de comunicação; o impacto da invisibilização e da esteriotipação do negro pela mídia brasileira, entre outros.

As datas de veiculação do programa A Voz das Religiões Afro, na Record News, serão divulgadas pelas redes sociais. Dr. Hédio Silva Jr. foi secretário da Justiça do Estado de São Paulo e é um dos mais respeitados defensores da cultura e das religiões de matrizes africanas. Em 2016, foi homenageado com o Troféu Asé Isesé (A força dos nossos ancestrais) conferido pelo Centro Cultural Africano à lideranças religiosas e personalidades públicas que se destacam na luta contra a intolerância religiosa.

Evento realizado em 17 de maio de 2018, na sede do Sindicato dos Jornalistas, organizado pela Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-SP) com a participação da professora Lígia Ferreira e do jornalista e escritor Oswaldo Faustino, e mediação da jornalista Cinthia Gomes.

 

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Por Claudia Alexandre

A Cojira-SP – Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial, órgão do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), promove nesta quinta-feira (17), às 19h, o Seminário Luiz Gama Jornalista, destacando o papel pioneiro e a atuação na imprensa do abolicionista negro no processo de lutas pela assinatura da Lei Áurea, em 18 de novembro de 1888. Acompanhe a transmissão ao vivo na fan page do Sindicato.

O evento, que vai marcar a passagem dos 130 anos da abolição do regime escravista do Brasil, terá como convidados a Professora Doutora Lígia Fonseca Ferreira e o jornalista, ator, escritor e membro da Cojira-SP, Oswaldo Faustino. A mediação será da jornalista e radialista Cinthia Gomes, que é integrante da Cojira-SP e desenvolve pesquisa de mestrado sobre a autoria negra nos textos jornalísticos de Luiz Gama dentro do Programa de Ciência da Comunicação (ECA-USP).

Durante o seminário, uma placa de honra ao mérito será inaugurada no Auditório Vladimir Herzog, com o objetivo de assinalar o reconhecimento de Luiz Gama como jornalista atuante em São Paulo.

Ligia Fonseca Ferreira, que organizou Luiz Gama em Primeiras Trovas Burlescas e outros poemas (Martins Fontes, 2000), trabalho pioneiro de edição do conjunto da obra poética de Gama, falará sobre o tema “A pena audaz de Luiz Gama, jornalista”. Também autora do livro Com a palavra, Luiz Gama. Poemas, artigos, cartas, máximas (Imprensa Oficial, 2011), Lígia Ferreira é bacharel em Letras e Linguística pela Universidade de São Paulo, possui doutorado pela Université de Paris 3 – Sorbonne sobre vida e obra do ex-escravizado, escritor, jornalista e advogado abolicionista Luiz Gama.  Tem ainda publicados vários artigos e capítulos de livros sobre o autor.  Atualmente, é docente do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Autor do romance A luz de Luiz: por uma terra sem  reis e sem escravos (Córrego, 2015), que define como “uma fantasia com pinceladas históricas”, o jornalista Oswaldo Faustino fará uma intervenção, após a palestra de Ligia, destacando a importância de se falar de Luiz Gama para os jovens.

Integrante da Cojira SP desde sua fundação, Faustino escreveu também a biografia do escritor e compositor Nei Lopes (Selo Negro/Summus, 2009, Coleção Retratos do Brasil Negro) e o romance histórico A Legião Negra (Selo Negro/Summus, 2010). Jornalista desde 1976 atuou em rádio, TV, revistas e em vários jornais, como Folha de S. Paulo e Diário Popular, em que foi editor de cultura entre 1985 e 1990, e O Estado de São Paulo, onde atuou como repórter durante 26 anos.

Sobre Luiz Gama

Luís Gonzaga Pinto da Gama, mais conhecido como Luiz Gama, nasceu em 21 de junho de 1830, na cidade de Salvador (BA). Era filho de mãe negra e pai branco, e foi vendido como escravo, pelo próprio pai, aos 10 anos de idade. Permaneceu analfabeto até os 17.

Conquistou judicialmente a própria liberdade e passou a atuar na advocacia em prol dos cativos, sendo já aos 29 anos autor consagrado e considerado “o maior abolicionista do Brasil”. Luiz Gama também foi orador, jornalista, escritor e é agora reconhecido como o Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil. Foi um dos raros intelectuais negros no Brasil escravocrata do século XIX, o único autodidata e o único a ter passado pela experiência do cativeiro.

Em São Paulo, teve diferentes profissões e posições sociais: escravo do lar, soldado, ordenança, copista, secretário, tipógrafo, jornalista, advogado, autoridade da maçonaria. Ele começou a carreira jornalística, na capital paulista, junto com o caricaturista Ângelo Agostini. Ambos fundaram, em 1864, o primeiro jornal ilustrado humorístico da cidade, intitulado Diabo Coxo.

Gama ficou conhecido como advogado dos pobres e libertador dos negros. Em uma carta autobiográfica a Lúcio de Mendonça, Gama estimou que já havia libertado do cativeiro mais de 500 escravos.  Gama proferiu uma frase que se tornou célebre: “O escravo que mata o senhor, seja em que circunstância for, mata sempre em legítima defesa”.

Luiz Gama faleceu em 1882, seis anos antes da sanção da Lei Áurea. E em janeiro de 2018 seu nome entrou para o Livro dos Heróis da Pátria, pela Lei Nº 13.628.

Serviço
Seminário Luiz Gama Jornalista
Data: 17 de maio (quinta-feira)
Local: Auditório Vladimir Herzog – Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
Endereço: Rua Rego Freitas, 530 – Sobreloja – Vila Buarque – São Paulo/SP (Metrô República)
Público-alvo: jornalistas, estudantes e demais interessados
Atividade gratuita, sem necessidade de inscrição
Acompanhe a transmissão ao vivo na fan page do Sindicato.