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O Seminário Equidade Racial nas Empresas Jornalísticas tem o objetivo de elaborar uma proposta para minimizar a desigualdade, a partir de uma reflexão sobre a baixa presença de jornalistas negros e negras nas redações e sobre os resultados desse tipo de negociação em outras categorias.De acordo com a pesquisa “Perfil do jornalista brasileiro”, organizada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) epela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) em 2012, apenas 5% dos profissionais se autodeclararam de cor preta, enquanto 18% se consideram de cor parda, diante de uma maioria absoluta de 72% de brancos. Para intervir nessa realidade, propomos a realização do seminário, que contará com um painel expositivo sobre o tema, apresentando dados e histórico da problemática, assim como o relato de experiências bem-sucedidas de promoção da equidade racial. Em seguida, os participantes vão debater e construir, de forma colaborativa, um plano de ação para incidência nessa área e uma proposta a ser apresentada às empresas de comunicação.

Cronograma
9h30 – Credenciamento e Boas vindas
10h – Abertura oficial Cojira-SP – com Juliana Gonçalves
11h – Diálogo com convidados(as) Cleonice Caetano Souza, Daniel TaquiguthiRibeiro, Ivone Silva e Luis Augusto Ribeiro da Costa
13h – Intervalo para almoço
14h – Workshop Ceert – com Profa. Dra. Maria Aparecida Silva Bento
17h – Encerramento

PALESTRANTES:
Cleonice Caetano Souza é dirigente sindical desde a década de 1980, graduanda em Serviço Social pela Universidade Unicesumar. Diretora do Departamento Social, Previdenciário, Saúde e Segurança no Trabalho do Sindicato dos Comerciários de São Paulo.

Daniel Taquiguthi Ribeiro é sociólogo e técnico do SAIS – Sistema de Acompanhamento de Informações Sindicais do Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.

Ivone Silva é graduada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo com MBA em Finanças, Controladoria e Auditoria pela Fundação Getúlio Vargas. Bancária do Itaú-Unibanco desde 1989 e, atualmente, Presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.

Juliana Gonçalves é jornalista, ativista do Movimento Negro e mãe. Integra a Cojira/SP e atua como repórter do Brasil de Fato e tem textos publicados na Carta Capital, Revista TPM e na revista eletrônica Calle2.

Luis Augusto Ribeiro da Costa é sociólogo, supervisor do SAIS – Sistema de Acompanhamento de Informações Sindicais do Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.

Maria Aparecida Silva Bento – Cida Bento – é doutora pelo Instituto de Psicologia da USP, e Diretora Executiva do CEERT – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desiguladades; Foi eleita, em 2015, pela “The Economist”, a mulher brasileira mais influente do mundo no campo da Diversidade. Também é membro da Comissão de Direitos Humanos do CFP – Conselho Federal de Psicologia, professora da Universidade do Texas (Austin) e autora de livros no campo da diversidade.

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cojira

Convencidos de que a construção da cidadania plena para todos os brasileiros passa, necessariamente, pela obtenção da igualdade racial e que as diversas categorias profissionais têm uma importante contribuição a dar nesse sentido, nós, jornalistas negros, tomamos a inciativa de nos organizar no Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo. Para isso, criamos a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial – Cojira, um órgão consultivo, com participação aberta a todos os interessados, que ajudará o Sindicato a ter uma atuação mais efetiva com relação à questão racial. Vamos participar de ações tanto no âmbito específico do jornalismo quanto em questões de caráter mais geral. Para conseguir esses objetivos, a Cojira tem algumas tarefas prioritárias:
a) Mapear e analisar a situação dos jornalistas negros no Estado de São Paulo.
b) Acompanhar com olhar crítico o noticiário relacionado à questão racial.
c) Estimular a capacitação dos profissionais que já atuam na imprensa para que tenham uma melhor compreensão da questão racial.
d) Criar oportunidades para que os jornalistas negros, em especial, e os jornalistas sem recursos financeiros, de maneira geral, tenham acesso aos mecanismos de aperfeiçoamento técnico-profissional
e) Organizar um Banco de Dados sobre a questão racial e a imprensa negra.
f) Utilizar o Jornal Unidade e todos os meios de comunicação do Sindicato para divulgar matérias e discutir temas relacionados à questão racial.

Justificativa
Campeã da desigualdade, a sociedade brasileira tem como uma de suas características centrais a tolerância à injustiça, ao autoritarismo e aos preconceitos. Essa herança funesta, que resiste quase intocada depois dos cinco séculos de história de nosso país, não desaparecerá espontaneamente. Ela se perpetua por que sua manutenção faz parte dos dispositivos ideológicos que justificam a manutenção dos privilégios dos ricos e só irá mudar se houver um forte movimento de opinião em favor dos que sofrem com essa injustiça. Para fazer isso, é preciso que os setores da sociedade interessados em criar uma verdadeira democracia, com

No movimento sindical brasileiro, a consciência de que é necessário organizar setores discriminados da sociedade, como negros, mulheres e homossexuais, é relativamente recente. Apenas na década passada, surgiu uma articulação política entre as centrais sindicais brasileiras que resultou na criação do INSPIR, o Instituto Sindical Interamericano Pela Igualdade Racial, órgão destinado a subsidiar o movimento sindical e os movimentos sociais na luta pela igualdade de oportunidades e pela criação de políticas públicas para a população negra. O INSPIR recebeu apoio de centrais sindicais dos Estados Unidos e da África do Sul, mas foi principalmente resultado do ingresso no Movimento Sindical de uma geração de ativistas que trouxeram para o seu interior a experiência do Movimento Negro e que construíram dentro de diversos sindicatos Comissões destinadas a dotá-los de políticas anti-racistas.

Dados do Mapa da População Negra no Mercado de Trabalho, realizado pelo DIEESE para o INSPIR, demonstram uma situação de reiterada desigualdade para os trabalhadores negros de ambos os sexos no mercado de trabalho, nas seis regiões metropolitanas estudadas. A coerência dos resultados em nível nacional revela que a discriminação racial é um fato cotidiano, interferindo em todos os espaços do mercado de trabalho brasileiro. Nenhum outro fato, que não a utilização de critérios discriminatórios baseados na cor dos indivíduos, pode explicar os indicadores sistematicamente desfavoráveis aos trabalhadores negros, seja qual for o aspecto considerado. Mais ainda, os resultados permitem concluir que a discriminação racial sobrepõe-se à discriminação por sexo, combinando-se a esta para constituir o cenário de aguda dificuldade em que vivem as mulheres negras, atingidas por ambas.

A comparação das taxas de desemprego nas diferentes regiões mostra que, em Salvador, a taxa de desemprego entre os negros é 45% maior que entre os não negros. Em São Paulo, ocorre fenômeno semelhante, com uma distância de 40% entre as taxas de desemprego entre as duas raças (etnias). Nas regiões metropolitanas de São Paulo e Porto Alegre, a cor discrimina mais no desemprego que o sexo do trabalhador, ou seja, as taxas de desemprego são maiores entre homens e mulheres negros que entre as mulheres não
negras. O mesmo efeito discriminatório da cor se verifica na comparação entre as taxas de desemprego entre homens negros e não negros. As maiores diferenças nestas taxas encontram-se em Salvador, onde o desemprego entre os homens negros é 57,9% maior que entre os homens não negros, e em São Paulo, onde esta diferença é de 51,4%.

Os rendimentos dos trabalhadores e trabalhadoras negras são sistematicamente inferiores aos rendimentos dos não negros, quaisquer que sejam as situações ou os atributos considerados. Eles expressam o conjunto de fatores que reúne desde a entrada precoce no mercado de trabalho; a maior inserção da população negras nos setores menos dinâmicos da economia; a elevada participação em postos de trabalho precários e em atividades não qualificadas até as dificuldades que cercam as mulheres negras no trabalho. São indicadores, por excelência, dos resultados da combinação da pobreza, da desigualdade e da discriminação na constituição da sociedade brasileira. A desigualdade que caracteriza a situação dos negros mostra-se, com bastante clareza, quando comparados os rendimentos entre as duas raças, pois os rendimentos dos negros são, em média, cerca de 60% dos auferidos pelos não-negros.

Estes dados divulgados pelo INSPIR não deixam margens à dúvida: a discriminação do componente negro no mercado de trabalho é a expressão mais contundente da cultura racista e discriminatória predominante na sociedade brasileira. Cabe ao movimento sindical, à classe trabalhadora e à comunidade negra, que representam, de fato, a maioria do proletariado brasileiro, por meio de suas entidades, criarem as condições para um grande movimento de massa contra o desemprego, pelo combate à discriminação racial, pela igualdade de oportunidades no mercado de trabalho e, principalmente, por uma transformação profunda na sociedade brasileira.

Jornalistas Negros

Tendo em vista os dados acima citados, é preciso saber qual é a verdadeira situação dos jornalistas negros. Não há nada que indique serem as empresas de comunicação ilhas de igualdade nesse mar de discriminação. Por isso é tarefa URGENTE saber quantos somos, onde estamos, quais os cargos que ocupamos e quais as condições de mobilidade dentro da profissão. Só a partir desse levantamento será possível saber se é necessário definir propostas de combate à discriminação e de promoção da igualdade a serem discutidas com os representantes dos patrões. É esse o sentido da proposta de mapear e analisar a
situação dos jornalistas negros no Estado de São Paulo.

Outra tarefa da Comissão é acompanhar e dar repercussão ao noticiário relacionado à questão racial. A ideia aqui é interferir junto aos diversos segmentos envolvidos na produção das notícias, a fim de reduzir as distorções decorrentes de visões etnocêntricas e também para permitir que o negro tenha na mídia uma presença proporcional ao seu peso demográfico e cultural na sociedade brasileira. Isso será feito por meio de cartas às colunas de leitores, artigos, polêmicas e outros meios que venham a ser sugeridos.

A proposta de estimular a capacitação dos profissionais que já atuam na imprensa para que tenham uma melhor compreensão da questão racial vai no mesmo sentido. O pressuposto aqui é que os cursos de graduação e a sociedade em geral não permitem que a maioria dos profissionais de nossa categoria tenham uma visão clara dos problemas que afetam a comunidade negra brasileira e que isso gera distorções na abordagem de temas de interesse do povo negro. Existe aí um campo aberto para trabalho em conjunto com o Departamento de Formação deste Sindicato.

Organizar um Banco de Dados sobre a questão racial e a imprensa negra é uma tarefa que se enquadra perfeitamente dentro do objetivo tornar o Sindicato um prestador de serviços. Um arquivo desse tipo, se bem organizado, será de grande utilidade para jornalistas e outros pesquisadores que precisem de informações sobre esses temas, e também seria um instrumento de preservação da memória da cultura negra de nosso país.

A utilização do Jornal Unidade para divulgar matérias e discutir temas relacionados à questão racial já vem acontecendo. É preciso, no entanto, ampliar o número de colaboradores que escrevem sobre o tema, para que as matérias não fiquem restritas ao que pode ser produzido pelos integrantes da Cojira. A publicação deste texto no site do Sindicato marca o início da utilização da internet pela Comissão e deve ser o ponto de partida para a criação de uma página ou um site próprios.

Manifesto redigido em julho de 2001 e assinado por:

Amélia Nascimento
Benedito Egydio dos Santos
Esmeralda Ribeiro
Flávio Carrança
Francisco Soares
Maurício Pestana
Oswaldo de Camargo
Oswaldo Faustino
Paulo Vieira Lima
Ricardo Alexino Ferreira
Ronaldo Junqueira

Membros atuais da Cojira-SP:

Cinthia Gomes

Claudia Alexandre

Flavio Carrança

Guilherme Soares Dias

Juliana Gonçalves

Oswaldo Faustino

Paola Prandini 

Pedro Borges

Rosane Borges

 

cida bento

Cida Bento, militante do movimento negro e diretora executiva do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) foi considerada pela revista “The Economist” como uma das 50 profissionais mais influentes no campo da diversidade.

A lista, divulgada oficialmente nos últimos dias, traz importante nomes internacionais como Barack Obama, Dalai Lama, Angelina Jolie, Hillary Clinton e Bill Gates. Além de Cida, outro brasileiro que figura na lista é o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ). Essa é a primeira vez que profissionais ligados à diversidade são listados pela revista.

Cida Bento atua no campo da diversidade em recursos humanos há quase 30 anos, tendo escrito livros sobre o tema já na década de 90 e desde então, vem desenvolvendo trabalhos em empresas no Brasil.

A lista foi ratificada por um painel independente de peritos. Mark Palmer-Edgecumbe, coordenador da lista global, destaca a importância do reconhecimento público dessas personalidades que “criam soluções inovadoras e preparam modelos para os profissionais de diversidade de amanhã”.

Veja a lista completa: http://www.globaldiversitylist.com/top-50-diversity-figures-in-public-life.html

Fonte: Ceert

Dois integrantes da Cojira SP deram entrevista para a mesma reportagem. Os jornalistas Claudinha Alexandre e Flavio Carrança foram entrevistados pelo Jornal da Gazeta, da TV Gazeta, para falar sobre a Exposição Imprensa Negra Paulista. A matéria foi para o ar em 15/09. Confira:

http://www.tvgazeta.com.br/videos/exposicaoimprensanegraemsp/

Serviço:

Exposição ‘Imprensa Negra Paulista’ 

De segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas, e domingo, das 10 às 15 horas. Entrada franca.

O Centro de Preservação Cultural – Casa de Dona Yayá fica na Rua Major Diogo, 353, Bela Vista, São Paulo.

Mais informações: (11) 3106-3562, email anabarone@gmail.com, cpcpublic@usp.br, ou no site do IEB

A série de debates Inquietudes Urbanas está voltada para a discussão das relações entre a universidade pública e a cidade no contexto contemporâneo, trazendo à tona questões nas quais os mais diversos problemas ligados à violência e à segregação social, entre outros, contracenam com o papel formador do ensino universitário, entendido como o ‘lugar’ em que as fissuras da sociedade são tratadas de forma crítica.
EV_2015-09_intolerancia-religiosa_c-eletr_geral

O debate deste mês aborda a Intolerância Religiosa verificada no Brasil que afeta não apenas a convivência inter-religiosa, mas a discussão pública sobre temas cruciais para a sociedade civil, como as fronteiras entre o político e o religioso na gestão de um Estado laico, o ensino religioso nas escolas públicas, a legalização do aborto, o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, a subordinação do direito civil à liberdade religiosa e às estratégias autoritárias de conversão religiosa, entre outros.

15 de setembro
Exibição dos filmes:
Iyalode, Damas da Sociedade (Brasil, 2005, 52 min.). Direção: Maria Emilia Coelho e José Pedro da Silva Neto.
Vozes do Islã (Brasil, 2007, 25 min.). Direção: Francirosy Campos Barbosa Ferreira.

22 de setembro

19h
debate com Vagner Gonçalves da Silva, Francirosy Campos Barbosa, Marcelo Natividade, Cristiano Valério, Jihad Hassan Hammadeh e José Pedro da Silva Neto

21h
lançamento do livro de Vagner Gonçalves da Silva EXU: o guardião da casa do futuro (Pallas, 2015).

entrada franca retirar senha 30 min. antes

Vagner Gonçalves da Silva é professor do Depto. de Antropologia da FFLCH-USP e coordenador do Centro de Estudos de Religiosidades Contemporâneas e das Culturas Negras da USP.

Cristiano Valério é ativista LGBT, diretor e pastor presidente da Associação da Comunidade Metropolitana do Brasil e coordenador de Desenvolvimento de Igrejas da Comunidade Metropolitana para o Brasil.

Francirosy Campos Barbosa é antropóloga, professora do Depto. de Psicologia da USP Ribeirão Preto e coordenadora do Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes

Marcelo Natividade é antropólogo, jornalista, professor do Depto. de Antropologia da FFLCH-USP e autor de As novas guerras sexuais: diferença, poder religioso e identidades LGBT no Brasil (Garamond , 2014)

José Pedro da Silva Neto é membro do Núcleo de Relações Raciais, Memória, Identidade e Imaginário do PEPG-PUC-SP e diretor da Fundação de Apoio à Cultura e à Tradição Yorubana no Brasil.

Cristiano Valério é pastor fundador da Igreja da Comunidade Metropolitana de São Paulo e membro do Conselho Municipal de Atenção a Diversidade Sexual do Município de São Paulo.

http://mariantonia.prceu.usp.br/?q=eventos/inquietudes-urbanas-intoler%C3%A2ncia-religiosa-0

Imagem  —  Publicado: 10/09/2015 em Agenda